quinta-feira, 24 de maio de 2012

Verdades sobre meu amor



Guarda sempre contigo o que vivemos, e estarei sempre contigo; em tua mente ou em teu coração, como preferires acreditar.
Meu amor por ti perdurará, mesmo após a morte, não importando se há ou não há um depois.
Pois ainda que não mais existamos, nosso amor estará gravado e guardado na história; e ainda que se realize o provável, e nossa história jamais seja contada, exaltada, ou distorcida em um romance barato, ainda que jamais divulguem nossos nomes, nosso amor, ainda que a própria história nos esqueça de tão insignificantes que somos em sua vasta existência; aquilo que foi, em tempo algum poderá deixar de ter sido, e nosso amor existirá igualmente infindo, quer como uma carta escondida no fundo falso de um baú, quer como mito bíblico.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


A me espiar sem muita feição, o rosto inerte, quase mumificado, apenas aqueles olhos vivos, castanhos e fixos a me fitar, não demonstrando raiva, pensar, alegria, nem pesar, apenas estavam ali a me olhar; E a princípio parecendo reduzir o meu espaço físico ao limite do seu campo de visão, mas como se me comprimisse para dentro de si, vi cada vez mais meu espaço retraindo-se e me dei conta de estar presente nada mais, nada menos, única e exclusivamente, o seu globo ocular, meu mundo por uns longos segundos; o esbranquiçado maior com algumas linhas, pontos pequenos cores de veias e etc., que preenchiam aquela atmosfera, a um olhar rápido e superficial, ou talvez poético, o céu e sua riqueza de cores em volta do mundo denso, castanho lindo, indescritivelmente lindo, a este me falta o que dizer, se há como expressar o quanto gosto deste castanho ainda não o aprendi; então, mais a fundo o negro, menor e por dentro, por entre o belo castanho, mas não menosprezemos o simples, não tão belo, em partes, a ele e ao branco atmosférico, graças, deve-se o enaltecimento do castanho, e para os homens que lhe passam rapidamente olhando nos olhos e não lhe contemplam as cores uma por uma, é graças a este negro a cor que seus superficiais olhares vêem, o castanho mais escuro quase se confundindo com o próprio negro.
Então, retomando meus segundos de contemplação, após o negro, o esférico e centralizado brilho, uma estrela colocada ali como que cirurgicamente, fazendo-me lembrar da ideia de que os olhos são as janelas para alma, por muito tempo acreditei que se houvesse alma seria os olhos a janela, e o sorriso seria a porta, mas pensando bem e relembrando o quão bonito e significante era aquele brilho, talvez haja apenas duas janelas altas, difíceis de escalar, raramente abertas e por vezes apenas entreabertas.
E a boca?
E o sorriso?
Talvez sejam a porta, realmente, mas para o mundo dentro do corpo, a corrupção da mente, um entrelaçado mundano entranhado na carcaça, com suas virtudes e defeitos variados, de acordo com a perspectiva do mundo entranhado em nossas carcaças, dificultando-nos conhecer tantas almas e até a nossa mesma.
Então que sorte tive, que sorte de ver aquela alma por entre a janela.
E acordando de repente, dando-me conta novamente que ela me olhara, perguntei: Hum?
Balancei a cabeça para cima e suspendi as sobrancelhas com ar interrogador, continuei: O que foi?
Sem muito compreender aquele olhar.
Ela me fez um sinal, com a cabeça também, como quem diz: Nada.
Volto a me perder na esfera brilhante.